Indústria está sem ânimo para investir, mostra pesquisa

Extraído de: em.com   Junho 20, 2012

O número de empresas da indústria de transformação que já assumem estar com dificuldades de fazer investimentos subiu 30% nos três primeiros meses de 2012 em comparação com igual período de 2011. O principal motivo é a falta de recursos. Entre as organizações que perceberam entraves desse tipo, 46% mencionaram a limitação de recursos, contra 34% no ano anterior, elevação superior a um terço, aponta a Sondagem Trimestral de Investimentos da Indústria, divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Trata-se da maior proporção de empresas com esse tipo de queixa desde o início da série histórica da pesquisa, em 2004.
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As impressões colhidas entre 102 empresas da indústria de transformação com capital aberto que divulgaram balanço nos últimos anos são um reflexo de números já coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre maio e abril deste ano. De acordo com André Macedo, economista e gerente da pesquisa industrial mensal de produção física do instituto, em 2012 o resultado da produção industrial mês a mês e o acumulado do ano mostram índices negativos predominantes. Nos primeiros quatro meses de 2012, em comparação com igual período do ano anterior, a indústria de bens de capital teve queda de 9,8% contra retração de 2,8% na média de todos os segmentos.

Os maiores recuos ocorreram na produção de máquinas para transportes (caminhões e carrocerias), que mostra queda de 14,7% entre janeiro e abril deste ano em comparação com os quatro primeiros meses de 2011. Comportamento semelhante ocorre na produção de máquinas voltadas para os setores de energia , como transformadores e geradores (-18%), e construção, como escavadeiras, tratores e motoniveladores (-12,6%).

Segundo Aloísio Campelo, superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV, o lucro operacional total das empresas pesquisadas foi de R$ 8,5 bilhões no primeiro trimestre de 2012, mesmo período da coleta de informações da Sondagem de Investimentos. O resultado é consideravelmente inferior ao verificado no primeiro trimestre do ano passado nas mesmas empresas, de R$ 10,2 bilhões, e no primeiro trimestre de 2010, quando atingiu R$ 10,8 bilhões. “Realmente, o lucro está menor. Foi o pior resultado desde o primeiro trimestre de 2009, quando ficou em R$ 6,1 bilhões”.

Desconfiança De acordo com ele, as incertezas sobre a demanda estão aumentando entre os empresários, mas permanecem em patamar inferior ao verificado em 2009, ano da crise. Entre as empresas que segundo a FGV enxergam algum fator limitante à realização de investimentos, 34% apontaram dúvidas sobre a demanda por seus produtos no primeiro trimestre deste ano. No mesmo período de 2009, esse porcentual era de 50%. No entanto, a fatia ainda ficou muito acima da verificada no primeiro trimestre do ano passado, quando apenas 19% viam incertezas acerca da demanda.

“Apesar de a demanda continuar relativamente boa no país pelo lado do consumo, quando nós olhamos os balanços das empresas, principalmente as de bens de capital e de consumo, percebemos que havia uma receita financeira significativa, que acabava compensando o resultado operacional”, observa Miguel Daoud, sócio-diretor da Global Financial Advisor. Mas, de acordo com ele, com a queda da Selic, o poder de arbitragem das empresas, que dava auxilio à parte operacional, começa a deixar de existir. “Isso se reflete na queda da disposição para investir”, explica.

Autor: Vinculado ao em.com


 
 
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